AC/DC, segundo CD de Cabal

04/08/2010 | 20:27 | Celso

AC/DC, segundo CD do rapper Cabal, lançado no final de julho, certifica a entrada do rap no mundo pop e cumpre algumas promessas que o artista fez nos últimos dois anos. AC/DC traz músicas com timbres e climas característicos das paradas de sucesso que invadem as FMs. Uma série de beats dançantes, rimas e trilhas em andamento acelerado, temas festivos e letras sobre sedução, amor e relacionamento. Bem planejado, o álbum tem produção de Riztocrat e qualidade técnica impecável, que segue os mandamentos das pistas.

“C. A. bounce”, faixa que abre o CD, abriga vozes em “screw”, instrumental sintetizado e versos que resumem o conteúdo do disco: “Som pra rua, pro baile”. É no baile que Cabal faz as primeiras rimas. “Não pare”, funk com refrão grudento e “Doce”, música com participação da cantora Ester Campos e a mais radiofônica do CD, refletem o ambiente das baladas. As luzes da pista continuam iluminando outras faixas do CD. No ritmo cadenciado do dirty south, “Faz assim” tem participação especial de DJ Milk e SevenLox.

“Menina má” e “Quando eu te ligar” precedem “Até o chão”, track que faz Cabal acelerar novamente sua rima para, em seguida, falar sobre as declarações de um casal em crise, na música “Eu só”, outra faixa com apelo popular. “Sonhei com você” segue a mesma lógica pop e “Linda garota” tem participação de Tony Williams (cantor que é primo do rapper Kanye West). O baile está formado, e Cabal é quem domina nessa área. O objetivo do rapper foi alcançado. O rap pop está bem representado, mas nem todas as promessas foram cumpridas.

Nas faixas “Tio Cabal”, “Eu faço isso”, “Traz de volta” (com participação de Thaide, Jacksom e Mr. Bomba), “Mundo em crise” (com riscos de DJ Deeley) e “Vai melhorar” (com a voz de Martinho da Vila percorrendo o instrumental), Cabal sai das pistas e mostra sua capacidade de provocar. Em instrumentais que continuam dançantes, o MC desenvolve maior diversidade no flow (entonação das rimas) e aborda temas diferenciados. Essa capacidade deveria ter mais espaço no álbum AC/DC. Ao apostar na fórmula pop, Cabal foi ao extremo e perdeu de vista algo que ele sempre disse perseguir: a inovação estética.

Em território brasileiro, AC/DC é um álbum de rap que traz uma produção diferente (este fato justifica o significado do título, “antes de Cabal, depois de Cabal”), com uma roupagem que vai além dos dogmas da cena, mas peca pelo desequilíbrio – mais da metade do disco é ambientada no mesmo cenário. A rima ácida e sua forma de intercalar as ideias é que lhe conferem originalidade, e suas sessões na Cquarta são uma prova disso. Algo que pode ter maior destaque no próximo trabalho.

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Fonte: Central Hip Hop

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